05/03/08
A polêmica escova progressiva com formol.
Dia após dia a busca ensandecida por uma beleza estereotipada faz vítimas. O fato é que todas as mulheres hoje parecem querer cabelos lisos, escorridos. Para isto, o método da vez é a polêmica escova progressiva que há mais de ano está na mídia pelos resultados que promove aumentando a beleza dos cabelos, mas também pelas complicações decorrentes de algumas misturas químicas onde se encontra o irritante e cancerígeno formol.
Lembro-me ainda hoje de minhas aulas de anatomia, quando, nas dissecações dos gelados corpos dos cadáveres, éramos obrigados a ficar imersos num ambiente que exalava formol.
Até os dias de hoje não me lembro de ninguém com quem tenha conversado, e que trabalha na área da saúde, que tenha tido algum tipo de problema sério com o formol nas aulas daquela matéria. Quem sabe algumas referências a uma pequena dermatite nas mãos, naqueles que ousavam a dissecar sem luvas (o que não é adequado), quem sabe uma piora de quadro de rinite ou conjuntivite. Até mesmo um quadro de enxaqueca, mas nada muito sério.
Sobre o fato de ser cancerígeno, é reconhecida esta característica do formol, e por isto, devemos evitar exposições recorrentes, prolongadas ou desnecessárias a este agente.
Sobre as mortes e problemas de saúde imediatamente após as escovas progressivas, gostaria de mais informações. De uma investigação mais minuciosa e rigorosa. Uma vez que a ANVISA determinou que a dosagem máxima deste ingrediente é de 0,2%, não creio que esta dosagem venha a trazer complicações mais severas.
Ao mesmo tempo, sabemos que laboratórios clandestinos (que oferecem suas fórmulas, sem informações sobre ingredientes e dosagens dos mesmos), costumam ser fonte de produtos para muitos que se dizem profissionais da área de cabelos. Reforço o que disse na frase anterior: para muitos que se dizem profissionais da área de cabelos. Tenho convicção que um profissional de verdade, ético e ciente da responsabilidade de praticar métodos que estão proibidos segundo determinações de órgãos regulamentadores sérios como a ANVISA, nunca utilizaria produtos sem registro, fora das normas, e exporia seus clientes a riscos.
Se o formol foi ou não o causador das mortes sobre as quais a mídia está divulgando? Repito o que disse sobre acreditar que investigações mais detalhadas deverão ser realizadas.
Porém, na dúvida, o que toda a pessoa que preza por sua saúde deveria fazer, cabeleireiro ou não, é evitar o método. Não há motivos para expor a vida de ninguém a risco por conta de ficar com cabelos mais bonitos, mais lisos ou mais fáceis de pentear.
Dr Ademir Júnior
www.ademirjr.com.br
Tel (11) 3864-3967
06/12/11
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