02/04/08
Quando me deparo com uma queda capilar de dificil diagnóstico.
Na medicina existem doenças que aparecem com maior frequência do que outras. Em alguns casos há doenças extremamente raras que um médico poderia passar a vida toda sem ver apenas um caso delas.
Quando falamos de queda capilar é muito comum encontrarmos com frequência casos de calvície genética, por estresse, deficiência de nutrientes ou causada por doenças. Por outro lado há quedas capilares extremamente raras onde médico e paciente estabelecem um verdadeiro ritual diagnóstico para concluir exatamente o que está causando o problema e, assim, poder ter convicção no que diz respeito à escolha do tratamento.
Sou um apaixonado pela arte de clinicar. Faço isto com um prazer que a cada paciente se renova. Porém encontrar um caso difícil ou raro é sempre um fator de maior motivação. Exige cuidados diferentes, outras maneiras de se abordar o paciente, exames complementares que usualmente não estavam fazendo parte de nossa rotina, e as vezes a necessidade de voltar aos rodapés de livros, artigos de revistas científicas e até fontes médicas na internet à procura da informação que falta, daquela pecinha que não encontramos do quebra-cabeça, do detalhe que fará a diferença.
É uma pena que não nos deparamos tanto com casos raros. Acredito que um caso difícil pode transformar o médico e criar uma maneira nova de ele ver a medicina que pratica. Acredito até numa mudança pessoal que o revigora e o faz crescer.
É facil tentar simplificar ou generalizar problemas médicos, mas um caso raro ou difícil relembra o profissional de que ele precisa estar atualizado, peparado e com os olhos atentos para captar as informações que pareciam estar escondidas.
Gosto de conversar com meu paciente. Me frustro quando atendo clientes que não gostam de conversar. Gosto de entender seus sintomas, de avaliar seus sinais. Fico triste quando falta cumplicidade e o paciente esconde informações.
Entendo que a história clínica é uma ferramente essencial e para que tudo fique claro para o médico não consigo ver medicina sem a história do paciente, principalmente em casos difícieis.
Quanto a realizar o exame físico me alegra saber que os dados da história poderão ser comprovados. Que novos achados do exame físico poderão se somar a todas as informações previamente colhidas na história.
Por último os exames complementares, que só são chamados assim porque complementam os dados da história e do exame físico. Estes, dentro do meu ponto de vista podem ajudar ou atrapalhar, de acordo com o grau que trazem de esclarecimento ou de margem para dúvidas. Porém vêm se tornando imprescindíveis a cada nova consulta, quanto mais nos pacientes com quadros mais raros ou difícieis de diagnosticar.
Com a somatória de todas as informações em mãos uma luz tende a se acender. Muitas vezes ela já dava sinais que poderia estar acesa, mas a história clínica, o exame físico e os exames complementares acabam retirando a névoa que insistia em encobrir o diagnóstico.
A partir deste momento, e diferentemente da apaixonante arte de diagnosticar vem um segundo momento da clínica médica, a apaixonante arte de tratar. Mas sobre esta eu escrevo em um outro texto.
Dr Ademir Júnior – Medicina Capilar (Tricologia)
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